domingo, 10 de março de 2019

Capítulos de Evolução

- Vês o que estás a fazer! Não sabes fazer isso! Nem nada!
(...)
- Não gosto disso! Nem das cores! Do enquadramento! Nada!
(...)
- Que linguagem é essa? Onde foste buscar isso? Tens noção do que eu sei? Do que eu sou? Todo esse conhecimento custou-me muito! Tu não sabes nada!
(...)
- Eu gastei muito dinheiro! Investimento de milhares! Tens noção?
(...)
Um flash de luz atravessou-lhe o corpo, como um bisturi!
Estava tudo ali. Tudo o que ela não quis ver, mas que a sua intuição já lhe tinha mostrado, principalmente no dia que sentiu uma forte pressão na sua cabeça!

O Universo tentou a toda a força mostrar-lhe, mas o ego é pura ilusão, cega completamente ao ponto de ser necessário um embate. De frente!

E estava tudo ali. A acontecer!
Quis fugir. Quis apagar da mente aquela humilhação!
- Como podia ser? Como?

Por instantes, horas, dias, chorou como se tivesse de novo sete anos e tivesse a ouvir todas aquelas palavras. Voltou a ter medo! Voltou a sentir aquele tremor no corpo! Queria desaparecer!

Como se tinha sujeitado a tudo aquilo? "Era necessário!"
Quase ouviu o Universo a gritar galáxias agora.

Ela já não tinha mais sete anos. Ela já tinha caminhado muito, já havia muito à sua volta de luz e amor, entendimento e consciência.

Chorou por horas, dias e renasceu!

Como se fosse um tratamento profundo de regeneração de pele. A velha caiu. Ficou em carne viva. Ganhou crosta. Secou. E lentamente deu lugar a uma pele nova. Sedosa e forte, tal como veludo de qualidade, suave, resistente.

Refeita, com data marcada, tinha que regressar ao momento. Era altamente necessário! Haviam decisões a tomar! Tal como uma prescrição de oxigénio depois de uma crise aguda de bronquite asmática, ela tinha que voltar ao momento!

Respirou fundo. Ainda lhe doía os pulmões!
Fechou os olhos e recordou o telefonema.
Letra a letra. Palavra a palavra.

Sentiu piedade. Amor. Compaixão. Foi tomada por uma luz tão intensa e poderosa. Violeta. Brilhante. Transformadora.

E aquela voz não era a voz do meu passado. Não ia permitir mais isso! A dona da voz estava a fazer o melhor que sabia. Tinha-se perdido do que fomos, ou esse nosso fora somente seu, mas não importava mais.

Tinha entendido a razão para tudo acontecer. Tudo!

E lembrou-se da data que tudo deu início. Lembrou-se que era a mesma que os astros declarava fecho de ciclo.

Lembrou-se que nunca lhe tinha pedido nada. Que nunca imaginou fazer parte de tudo aquilo. Tinha se iludido. Sim, muito! Mas sempre a incentivou, sempre esteve ao seu lado nos seus mais intensos desabafos.

Sempre foi correta, mesmo que houvessem quem tivesse dito que não e até achassem que tinham provas para lhe dar.
Tinham?
Claro que sim. As provas são fáceis de moldar quando uma alma se perde.

Estava pronta para largar.
A sua paz era tão mais importante.

Estava tudo bem! Tudo foi necessário!

Também ela se tinha perdido tantas vezes.
Também ela tinha magoado tantas pessoas, mesmo que involuntária ou inconscientemente.

Agora estava do outro lado e tal abria-lhe a alma em empatia.
Sentiu a elevar-se!

Como se o corpo tomasse uma dose significativa de fermento e se expandisse em direção ao céu. Ao descer, estava em cima da mesa as melhores memórias, uma manual grosso de aprendizagens e um cristal em forma de coração rosa.

Ouviu um pequeno estrondo, como se uma porta velha de madeira se fechasse atrás dela e um punhado de chaves batessem na fechadura, enquanto uma a fechava em sete voltas.

Sentiu uma paz imensa!
Uma liberdade expressa pela alma.
Fechou os olhos!
Sentiu as cordas a cair!

Uma pequena fada pousou-lhe no ombro e sussurrou-lhe ao ouvido:
"Conseguistes! Continua a amar-te assim! Será sempre por esse amor que tudo o que te espera acontecerá em verdade! Nesse amor, caminhos, pessoas vão chegar para ficar! Conseguiste!"

Sónia Machado Araújo
Sem Hora Marcada
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Foto retirada na Internet
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Plágio é crime.

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